ADORAÇÃO SOMENTE A DEUS

Aproximemo-nos do Sinai.

Tão terríveis eram os sinais da presença de Jeová que as hostes de Israel tremeram de medo, e caíram prostrados perante o Senhor. Mesmo Moisés exclamou: ‘Estou todo assombrado, e tremendo’. Heb. 12:21” (Patriarcas e profetas, página 310).

Logo após, ouçamos a voz de Deus.

PRIMEIRO MANDAMENTO: “Não terás outros deuses diante de mim” (Êxodo 20:3).

Ouçamos o comentário do Espírito de Profecia: “Jeová, o Ser eterno, existente por Si mesmo, incriado, sendo o originador e mantenedor de todas as coisas, é o único que tem direito a reverência e culto supremos” (Patriarcas e profetas, página 311).

SEGUNDO MANDAMENTO: “Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo da terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o Senhor, teu Deus...” (Êxodo 20:4 e 5).

Isto posto, entendamos estes dois mandamentos.

Encontrei três proibições divinas:

a)   É proibido fabricar imagens ou semelhanças representativas do verdadeiro Deus.

b)   É proibido adorar essas imagens ou semelhanças de Deus.

c)   É proibido cultuar essas imagens ou semelhanças de Deus.

Quanto à primeira proibição, é perfeitamente compreensível, pois, a Bíblia menciona que existem duas imagens visíveis do Deus Pai invisível:

Ø    O Filho de Deus, Jesus Cristo, gerado pelo Espírito Santo (Mateus 1:20; Lucas 1:35). Ele é “a exata expressão do Seu ser” (Hebreus 1:3) ou “a imagem do Deus invisível” (Colossenses 1:15) ou “a imagem de Deus” (II Coríntios 4:4).

Ø    Os filhos de Deus, gerados pelo Espírito Santo. Fomos criados à imagem e semelhança de Deus (Gênesis 1:26 e 27). Com o homem Jesus (I Timóteo 2:5) intercedendo junto ao Pai, os filhos de Deus são as únicas pessoas que devem assumir o papel de imagens de Deus entre os homens.

Em relação as segunda e terceira proibições, são totalmente coerentes com o resto da Bíblia.

MATEUS 4:10: “Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele darás culto”.

JOÃO 4:24: “Deus é espírito, e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade”.

Estudando João 4:20-24, entendi que ali Jesus estabeleceu as premissas básicas da adoração.

A) O lugar da adoração: A samaritana tinha dúvidas quanto ao local ideal para se adorar (4:20). Para Jesus, o lugar – se em Jerusalém ou no monte Gerizim - é um acessório de somenos importância (4:21). O que então é essencial para se adorar? Confira a seguir.

B) A pessoa que merece ser adorada: Deus o Pai é mencionado quatro vezes como a Pessoa que devemos adorar (4: 21,23 e 24).

C) É essencial conhecer a pessoa a quem se adora: Adorar um deus desconhecido (Atos 17:23) é próprio dos pagãos e não dos cristãos. Só adoramos a quem realmente conhecemos (4:22).

D) É o Pai que busca os adoradores verdadeiros: A idéia de “caçadores de Deus” não combina com o Evangelho. É Deus quem procura os verdadeiros adoradores (4:23) dentre os perdidos (Lucas 19:10).

E) Os verdadeiros adoradores adoram em espírito: O que significa adorar a Deus em espírito (4:23 e 24)? Confira a opinião de Paulo na epístola aos Coríntios.

I Coríntios 6:15-17:Não sabeis porventura que os vossos corpos são membros do corpo de Cristo? E eu, porventura, tomaria os membros do corpo de Cristo e os faria membros de meretriz? Absolutamente, não. Ou não sabeis que o homem que se une à prostituta forma um só corpo com ela? Porque, como se diz, serão os dois uma só carne. Mas aquele que se une ao Senhor é um espírito com ele”.

Deus chama de uma só carne à união entre dois seres humanos. Você consegue explicar ou entender essa fusão entre um homem e sua esposa? Ou mesmo de um homem com uma prostituta? Você acredita na possibilidade da existência dessa unidade chamada uma só carne? Uma só carne é o nível de comunhão mais íntima entre dois corpos ou duas almas.

Deus chama de um só espírito à união entre o espírito humano e Deus, que também é um Espírito. Você tem consciência dessa unidade espiritual entre você e Deus? Um só espírito é o nível de comunhão mais profunda que pode existir entre dois espíritos.

F) Os verdadeiros adoradores adoram em verdade: O que significa adorar a Deus em verdade (4:23 e 24)? Imagino que o relato de Mateus (Mateus 2:1-12) sobre três classes de adoradores é o que melhor nos elucida essa questão.

Os magos como verdadeiros adoradores: “E perguntavam: Onde está o recém-nascido Rei dos Judeus? Porque vimos a sua estrela no Oriente e viemos para adorá-lo” (Mateus 2:2). “Entrando em casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, o adoraram; e, abrindo os seus tesouros, entregaram-lhe suas ofertas: ouro, incenso e mirra” (Mateus 2:11). Estudiosos das profecias, viram a estrela, vieram, perguntaram, prostraram, adoraram, ofertaram e obedeceram ao anjo. As orientações dos líderes religiosos falsos foram seguidas (2: 5,6 e 8), mas a certeza vinha da estrela (2:9). Quem lhes deu certeza de que um menino era o Salvador? “Quem quer que esteja, com singeleza de propósito, procurando fazer a vontade de Deus, atendendo fervorosamente à luz já dada, receberá maior luz; será enviada àquela alma alguma estrela de fulgor celestial para guiá-la em toda verdade” (O grande conflito, página 311).

Os sacerdotes como falsos adoradores: “Então, convocando todos os principais sacerdotes e escribas do povo, indagava deles onde o Cristo deveria nascer. Em Belém da Judéia, responderam eles, porque assim está escrito por intermédio do profeta...” (Mateus 2:4 e 5). Ocupar o primeiro escalão do templo não imunizou sacerdotes contra a falsa adoração. Conheciam a teoria da Bíblia, mas não experimentaram a transformação que só a verdade pode operar. Tão desinteressados estavam no cumprimento das profecias que não se deram ao trabalho de caminhar os menos de dez quilômetros que separavam Jerusalém e Belém. Tinham coisas mais importantes para se ocuparem, e Jesus poderia ficar em um segundo plano. Deles, Cristo afirmou: “E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens” (Mateus 15:9).

Herodes como adorador de si mesmo: “E, enviando-os a Belém, disse-lhes: Ide informar-vos cuidadosamente a respeito do menino; e quando o tiverdes encontrado, avisai-me, para eu também ir adorá-lo” (Mateus 2:8). O falso “adorador” que não se alimentou com as próprias mãos da Palavra de Deus foi capaz de patrocinar o maior ato terrorista daqueles dias (Mateus 2:16). Na verdade, o alarmado rei queria eliminar o novo concorrente ao trono de Rei dos Judeus (Mateus 2:2 e 3).

Adoradores do Pai em espírito e em verdade! Taí uma espécie ameaçada de extinção.

A ADORAÇÃO A JESUS CRISTO.

Quando abro as páginas do Apocalipse, encontro ali os motivos para se adorar ao nosso Deus. Os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos são incansáveis adoradores que reverenciam o Deus que está assentado no trono e o Cordeiro. Eles “não têm descanso, nem de dia nem de noite” dando glória, honra e ações de graças a Deus (Apocalipse 4:8 e 9). Esta aprazível atividade tem sua equivalente entre os incrédulos: os que adoram a besta e sua imagem, ou forem selados na testa ou na mão beberão do vinho da cólera de Deus e serão atormentados com fogo e enxofre diante dos anjos e do Cordeiro. Não terão descanso, nem de dia nem de noite (Apocalipse 14:9-11).

Enquanto os seres viventes rendem homenagens a Deus, os vinte e quatro anciãos prostrar-se-ão e adorarão a Deus. “Depositarão as suas coroas diante do trono proclamando: Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque todas as coisas tu criaste, sim, por causa da tua vontade vieram a existir e foram criadas” (Apocalipse 4:10 e 11). Ele é digno porque é o Criador.

Já no quinto capítulo, os vinte e quatro anciãos juntamente com os quatro seres viventes prostrar-se-ão e adorarão ao Cordeiro. Entoarão um novo cântico dizendo: “Digno és de tomar o livro e de lhe abrir os selos, porque foste morto...” (Apocalipse 5:9 e 10). Ele é digno porque é o Salvador. Falando da exaltação de Cristo (Atos 2:32 e 33), Paulo contrasta o Salvador em forma de Deus e em forma de servo que se humilhou até a morte de cruz: “Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo o nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai” (Filipenses 2:9-11 – ver também Romanos 14:11 e Isaías 45:23).

Chegando ao sétimo capítulo, após a visão da inumerável multidão, novamente tais criaturas adoram e se prostram sobre o rosto tributando louvores a Deus (Apocalipse 7:11 e 12).

Após o toque da sétima trombeta, os vinte e quatro anciãos ajoelhados bendirão a Deus: “Graças te damos porque assumiste o teu reino e passaste a reinar... Chegou, porém, a tua ira, e o tempo determinado para serem julgados os mortos, para se dar o galardão aos teus servos, os profetas, aos santos e aos que temem o teu nome... e para destruir os que destroem a terra” (Apocalipse 11:16-18). Ele é digno porque é o Julgador.

No final, os vinte e quatro anciãos e os quatro seres viventes curvar-se-ão e renderão louvores ao Deus que se acha assentado no trono (Apocalipse 19:4), porque Ele vingou o sangue dos profetas das mãos da meretriz (Apocalipse 19:2). Ele é digno porque é o Vingador. Como parte das comemorações da vitória no grande conflito, os 144000 entoarão um louvor em adoração ao Senhor: “Grande e admiráveis são as tuas obras, Senhor Deus, Todo-Poderoso! Justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei das nações! Quem não temerá e não glorificará o teu nome, ó Senhor? Pois só tu és santo; por isso, todas as nações virão e adorarão diante de ti, porque os teus atos de justiça se fizeram manifestos” (Apocalipse 15:3 e 4).

Para nunca mais esquecer:

No capítulo quatro, Deus o Pai é digno porque é o Criador (Apocalipse 4:9-11).

No capítulo cinco, o Cordeiro é digno porque é o Salvador (Apocalipse 5:8-10).

Quer dizer que não é somente Deus o Pai que merece receber a nossa adoração? Isto mesmo! Jesus Cristo também merece o nosso louvor e adoração.

Você pode argumentar que se a dignidade do Salvador se deve a cruz, como justificar a adoração antes do Calvário? Não nos esqueçamos de que o Cordeiro foi morto antes da fundação do mundo (I Pedro 1:18-20; Apocalipse 13:8). Daí, os magos vieram do Oriente para adorá-lo (Mateus 2:2), os anjos o adoraram no céu (Lucas 2:13 e 14), os pastores adoraram no campo (Lucas 2:20), Simeão e Ana adoraram no templo (Lucas 2:28-32, 37 e 38).

Em nenhum momento, os livros do Espírito de profecia contradizem a verdade bíblica da adoração ao Pai e ao Filho. Selecionei cinco comentários sobre a adoração a Jesus Cristo.

PRIMEIRO: Jesus e a exaltação ao salvador. Um comentário sobre o cumprimento de Hebreus 1:6: “Que todos anjos o adorem”.

Todo o céu estava esperando para saudar o Salvador à sua chegada às cortes celestiais... Ali está o trono, e ao redor, o arco-íris da promessa. Ali estão os querubins e serafins. Os comandantes das hostes celestiais, os filhos de Deus, os representantes dos mundos não caídos, acham-se congregados. O conselho celestial, perante o qual Lúcifer acusara a Deus e a seu filho, os representantes daqueles reinos imaculados sobre os quais Satanás pensara estabelecer seu domínio – todos ali estão para dar as boas vindas ao Redentor... Mas Ele os detém com um gesto. Ainda não. Não pode receber a coroa de glória e as vestes reais. Entra à presença do Pai. Mostra a fronte ferida, o alanceado flanco, os dilacerados pés; ergue as mãos que apresentam os vestígios dos cravos. Aponta os sinais do seu triunfo; apresenta a Deus o molho movido, aqueles ressuscitados com Ele como representantes da grande multidão que há de sair do sepulcro por ocasião de sua Segunda vinda... Antes que os fundamentos da terra fossem lançados, o Pai e o Filho se haviam unido num concerto para redimir o homem, se ele fosse vencido por Satanás. Haviam-se dado as mãos, num solene compromisso de que Cristo se tornaria o fiador da raça humana. Esse compromisso cumprira Cristo. Quando sobre a cruz soltara o brado: ‘Está consumado’, dirigira-se ao Pai. O pacto fora plenamente satisfeito. Agora Ele declara: ‘Pai, está consumado. Fiz, ó meu Deus, a tua vontade. Conclui a obra da redenção. Se a tua justiça está satisfeita, ‘quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo’. Ouve-se a voz de Deus proclamando que a justiça está satisfeita. Está vencido Satanás. Os filhos de Cristo, que lutam e se afadigam na terra, são ‘agradáveis (...) no Amado’. Perante os anjos celestiais e os representantes dos mundos não caídos, são declarados justificados. Onde Ele  está, ali estará a sua igreja. ‘A misericórdia e a verdade se encontraram; a justiça e a paz se beijaram’. Os braços do Pai circundam o Filho, e é dada a ordem: ‘E todos os anjos o adorem’. Com inexprimível alegria, governadores, principados e potestades reconhecem a supremacia do Príncipe da Vida. A hoste dos anjos prostra-se perante Ele, ao passo que enche todas as cortes celestiais a alegre aclamação: ‘Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riquezas, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e ações de graça’. Hinos de triunfo misturam-se com a música das harpas angélicas, de maneira que o céu parece transbordar de júbilo e louvor. O amor venceu. Achou-se a perdida. O céu ressoa com altissonantes vozes que proclamam: ‘Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, sejam dadas ações de graças, e honra, e poder para todo sempre” (O desejado de todas as nações, página 798).

SEGUNDO: Jesus e a exaltação ao criador. Um comentário sobre a criação dos anjos.

O Rei do universo convocou os exércitos celestiais perante Ele, para, em sua presença, apresentar a verdadeira posição de Seu Filho, e mostrar a relação que Este mantinha para com todos os seres criados. O Filho de Deus partilhava do trono do Pai, e a glória do Ser eterno, existente por si mesmo, rodeava a ambos. Em redor do trono reuniam-se os santos anjos, em uma multidão vasta, inumerável – ‘milhões de milhões, e milhares de milhares’ (Apocalipse 5:11), estando os mais exaltados anjos, como ministros e súditos, a regozijar-se na luz que, na presença da Divindade, caía sobre eles. Perante os habitantes do Céu, reunidos, o Rei declarou que ninguém, a não ser Cristo, o Unigênito de Deus, poderia penetrar inteiramente em Seus propósitos, e a Ele foi confiado executar os poderosos conselhos de Sua vontade. O Filho de Deus executara a vontade do Pai na criação de todos os exércitos do Céu; e a Ele, bem como a Deus, eram devidas as homenagens e fidelidade daqueles. Cristo ia ainda exercer o poder divino na criação da Terra e dos seus habitantes. Em tudo isto, porém, não procuraria poder ou exaltação para Si mesmo, contrários ao plano de Deus, mas exaltaria a glória do Pai, e executaria Seus propósitos de beneficência e amor. Os anjos alegremente reconheceram a supremacia de Cristo, e, prostrando-se diante dele, extravasaram seu amor e adoração. Lucífer curvou-se com eles; mas em seu coração havia um conflito estranho, violento” (Patriarcas e profetas, páginas 16 e 17).

TERCEIRO: Satanás irá adorar a Cristo. Um comentário sobre a coroação final do Filho de Deus.

Satanás vê que sua rebelião voluntária o inabilitou para o Céu. Adestrou suas faculdades para faculdades para guerrear contra Deus; a pureza, a paz e harmonia do Céu ser-lhe-iam suprema tortura. Suas acusações contra a misericórdia e justiça de Deus silenciaram agora. A exprobação que se esforçou por lançar sobre Jeová repousa inteiramente sobre ele. E agora Satanás se curva e confessa a justiça de sua sentença” (O Grande Conflito, páginas 666 e 677).

QUARTO: Os ímpios irão adorar o Filho de Deus. Um comentário sobre a coroação final dos Jesus Cristo.

Como que extasiados, os ímpios contemplaram a coroação do Filho de Deus. Vêem em Suas mãos as tábuas da lei divina, os estatutos que desprezaram e transgrediram. Testemunharam o irromper de admiração, transportes e adoração por parte dos salvos, e, ao propagar-se a onda de melodia sobre as multidões fora da cidade, todos, a uma, exclamam: ‘Grandes e admiráveis são as Tuas obras, Senhor Deus, Todo-Poderoso! Justos e verdadeiros são os Teus caminhos, ó Rei das nações!’ (Apoc. 15:3), e, prostrando-se, adoram o Príncipe da vida” (História da redenção, páginas 425 e 426).

QUINTO: Os salvos continuarão adorando a Cristo: Um comentário sobre a coroação final dos salvos.

Vi as hostes dos remidos prostrar-se e lançar suas coroas brilhantes aos pés de Jesus; e então, levantando-os com Sua mão adorável, tocaram as harpas de ouro, e encheram o Céu todo com sua rica música e com cânticos ao Cordeiro” (Primeiros escritos, página 289).

No entanto, a Bíblia também menciona a adoração à glória de Deus. Confira no próximo artigo.

jota_ferreiramarques@yahoo.com.br

João Marques.

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