A VOLTA DE CRISTO SEGUNDO ELE MESMO E SEGUNDO ELLEN WHITE

Em se tratando da volta do Nosso Senhor, as Escrituras apresentam indicativos referentes ao evento que, vivendo em qualquer momento da história do mundo no período d.C, todo verdadeiro cristão olharia para o seu tempo e concluiria que Cristo estava às portas. Os sinais bíblicos que são prenúncios do retorno do Senhor são essencialmente genéricos e puderam ser aplicados em todos os períodos da história pós-Cristo. Deus, em sua sabedoria, ligou as guerras, as catástrofes provocadas pelas forças da natureza, as pestes, a fome, o relaxamento dos padrões morais, o aumento da violência e o afastamento do homem de Deus, à segunda vinda do seu Filho a este mundo. Todos os sinais da vinda de Cristo, sempre estiveram presentes na história da humanidade. Os cristãos, sempre conviveram com o sentimento de que a vinda de Cristo ocorreria em breve. É propósito de Deus que seus servos vivam sempre em sentido de alerta, por isso, os sinais foram genéricos. Se Cristo tivesse sido mais preciso com relação aos sinais, ou tempo ou data, os cristão que estavam muito longe no tempo do evento, certamente se veriam em situação de desânimo. Quando os discípulos perguntaram a Cristo qual o tempo específico de seu retorno ao mundo, a resposta foi categórica: “Porém daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas unicamente meu Pai”. Mateus 24:36

O desejo dos discípulos em saber o tempo específico da segunda vinda do Mestre, não arrefeceu e novamente, num encontro com o Senhor após a ressurreição, eles refizeram a pergunta. “Aqueles pois que se haviam reunido perguntaram-lhe, dizendo: Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino a Israel?”. Atos 1:6 Novamente Cristo oferece a mesma resposta: “E disse-lhes: Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder”. Atos 1:7 Em nenhum momento, Cristo ou qualquer um dos seus discípulos ou apóstolos, aventou a possibilidade de que o tempo exato do fim da história humana seria no futuro revelado. Alguns podem até dizer que a Bíblia não diz que esse tempo não seria revelado e que isso abriu a possibilidade para uma futura revelação, que encontrou em Ellen White a sua realização. Se a Bíblia não diz que seria revelado, também não diz que não seria. O único dado objetivo que temos é que aquele dia e hora, definitivamente ninguém sabe. Qualquer idéia sobre o evento aqui tratado, se não tiver como premissa que o mesmo está totalmente oculto ao conhecimento humano, é mera especulação.

A não revelação da hora, ou dia, ou tempo preciso do retorno de Cristo, cumpre um propósito inusitado: fazer com que seus seguidores não relaxem no segui-lo. Não sabendo quando ocorreria o retorno do seu Senhor, os servos viveriam em constante vigilância para não serem pegos de surpresa. “Vigiai pois, porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do homem há de vir”. Mateus 25:13 Apesar de haver clareza absoluta quanto a esse assunto, muitos no decorrer da história se aventuraram na marcação de datas para o acontecimento mais aguardado pelos cristãos. Alguns chegaram ao cúmulo de dizer que na interpretação de profecias que resultaram na marcação de datas, foram ajudados por anjos. Falando sobre Guilherme Miller que errou ao marcar data para a segunda vida de Cristo, a suposta profetisa Ellen White, afirma o seguinte: “Elo após elo da cadeia da verdade recompensava seus esforços, enquanto passo a passo divisava as grandes linhas proféticas. Anjos celestiais estavam a guiar-lhe o espírito e a abrir as Escrituras à sua compreensão”. O Conflito dos Séculos. p. 321 Só se forem anjos caídos. Anjo fiel a Deus jamais levaria Miller a cometer a loucura que cometeu, marcar data para o retorno do Senhor.

Depois da decepção de 1844, os continuadores do movimento millerita que hoje são conhecidos como adventistas do sétimo dia, não mais se atreveram a cometer o mesmo erro do pai do movimento. Se, no entanto, não se atreveram a marcar o dia, tiveram a coragem de marcar a hora. Ellen White ousou marcar a hora para o retorno do Senhor: meia-noite. “É a meia-noite que Deus manifesta o Seu poder para o livramento de Seu povo. O sol aparece resplandecente em sua força”. O Conflito dos Séculos. P. 642. Alguns podem até dizer que se trata de linguagem simbólica, que essa meia-noite se refere ao estado de escuridão espiritual que o mundo se encontrará quando Cristo retornar. Não se trata disso. Todo o capítulo fala do livramento dos justos e não do estado do mundo. O título do capítulo é até sugestivo: “O livramento dos justos”.

Seria muita ingenuidade por parte da profetisa marcar data para o retorno de Jesus. Caso ele tivesse feito isso, haveria tremenda dificuldade para aceitação da mesma sob o signo de profetisa verdadeira. No entanto, a senhora White entrou por um caminho, em relação aos sinais da vinda de Cristo, que destoa completamente dos sinais preconizados pelo Mestre. Nosso Senhor previu sinais, todos no âmbito de generalidades. São tão genéricos os sinais dados por Cristo, que eles serviram para todos os momentos da história humana e chegaram até os nossos dias mantendo a mesma atualidade. Fome, guerras, pestes, violência, fúria da natureza entre outros, sempre estiveram presentes na história do homem. Esses sinais tinham por objetivo deixar os fiéis alertas, sem, no entanto permitir que os crentes pudessem cogitar, a partir de uma análise da cadeia de acontecimentos, sobre o tempo específico da volta do Senhor. Apenas com os sinais da volta de Cristo contidos na Bíblia, é impossível fazer qualquer previsão sobre uma volta breve ou tardia de Cristo. Caso usemos somente a Bíblia, o tempo provável da volta de Cristo, sempre será uma incógnita, em qualquer momento que ela ocorrer, vai ser algo inesperado, ainda que aguardada.

A única coisa que os fiéis podem fazer é vigiar. “Vigiai, pois, porque não sabeis a hora que há de vir o vosso Senhor”. Mateus 24:42. “Vigiai pois, porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do homem há de vir”. Mateus 25:13. Não foi revelado ao homem qualquer fato que pudesse dar a ele condições de estabelecer a proximidade do tempo para o retorno do Anjo do Senhor. “Vigiai, pois, porque não sabeis quando virá o Senhor da casa; se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se pela manhã”. Marcos 13:35 Em todo o tempo deve o servo de Deus viver pronto para o encontro com o seu Senhor, mesmo que ele demore mil anos; pois assim como pode voltar hoje, pode ser que volte apenas daqui a um século. O dia para o cristão é o hoje.

A senhora White, foi muito além do que a Bíblia revela. Ela estabeleceu uma cadeia de eventos, que caso se cumpram como foi profetizado por ela, tirará toda a condição de surpresa da volta de Cristo. Com base no que ela escreveu, posso garantir que o retorno de Cristo não se dará na próxima semana, mês ou ano. Não há no momento nenhum indício de que as suas profecias se cumprirão no curto prazo. “Terrível é a crise para a qual caminha o mundo. Os poderes da Terra, unindo-se para combater os mandamentos de Deus, decretarão que todos, ‘pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos’ (Apocalipse 13:16), se conformem aos costumes da igreja, pela observância do falso sábado. Todos os que se recusarem a conformar-se serão castigados pelas leis civis, e declarar-se-á finalmente serem merecedores de morte”. O Conflito dos Séculos. P. 610. Não existe nenhum indicativo de que esta profecia esteja caminhando para o seu cumprimento, muito pelo contrário, o que podemos verificar, é que os guardadores do sábado estão a cada dia, tendo o direito ao seu dia santo cada vez mais respeitado. A cada dia o discurso do respeito às diferenças religiosas são mais firmes e é exigido pela sociedade que esse direito seja respeitado. Mesmo no Brasil, vários estados e cidades já legislaram para atender aos interesses dos que têm o sábado como dia de guarda religiosa. Um outro fator que também pode ser observado, é que tanto o sábado quanto o domingo, têm se tornado dias comerciais por excelência. Tem sido nos finais de semana, sábados e domingos, que o comércio obtém seus maiores lucros. Além de dias eminentemente dedicados ao comércio, o sábado, mas ainda mais o domingo, se tornou o dia do lazer, dos passeios e dos esportes. São infinitas as atividades seculares realizadas no sábado e no domingo; isto posto, na situação atual, imaginar um decreto ou iniciativa que alcance o objetivo de proibir atividades seculares aos domingos, é uma grande ilusão.

Qualquer um que acredite nessa profecia whiteana não cumprida e nem em vias de cumprimento, poderá afirmar que no futuro com certeza veremos o cumprimento da mesma. No entanto, devemos nos lembrar que a profecia aqui mencionada, tendo em conta o tempo da sua apresentação, já teve mais de cem anos de “futuro” para sua realização. Desde o tempo em que a mesma foi proposta, o que tem havido é uma negação ao que ela previu. Ao invés de ter havido um endurecimento em relação aos que guardam o sábado, houve de fato, como nunca, as melhores possibilidades garantidas por lei de se observar o sábado como dia sagrado para quem assim o considere. Imaginar que o papa tenha força e autoridade para impor ao mundo o domingo como dia santo e de guarda obrigatória, é desconhecer o momento que vivemos. Nem com apoio americano ele conseguiria isso e não existe razão objetiva para os Estados Unidos apoiar tal iniciativa do papado. E mesmo que houvesse, ele não conseguiria impor ao mundo tal medida. Todos os dias nós vemos em que atoleiro os americanos entraram quando invadiram o Iraque para impor seu modo de vida e visão de mundo. Vale ainda lembrar que os americanos no Iraque, respeitam a religião islâmica. Imaginem então o que ocorreria se eles quisessem o obrigar o muçulmano guardar o domingo ao invés da sexta-feira como Maomé ordenou. Não sobraria um americano vivo no Iraque. A senhora Ellen White atribuiu ao papa um poder que ele nunca teve e o pouco poder que lhe restou, é apenas um poder simbólico. Mesmo os católicos não obedecem mais às ordens e desejos da sua igreja. No ano passado, a Espanha, um dos maiores países católicos da Europa aprovou a união civil entre homossexuais, indo totalmente contra as orientações do catolicismo. A Igreja Católica é contra o aborto, o uso de métodos anticoncepcionais, uso de preservativos, relações sexuais antes do casamento, divórcio etc, em todas essas questões ela tem poder para impor sua vontade? Porque teria em relação ao domingo? Só porque Ellen White “profetizou”?

A “profecia” de Ellen White tornou a volta de Cristo um evento previsível quanto ao tempo provável da sua ocorrência. Como o assim chamado “decreto dominical” seria promulgado às vésperas do retorno do Mestre, esse decreto pode ser usado como ponto de partida para a contagem regressiva referente ao retorno do Senhor. Nós já temos um dado objetivo proposto pela senhora White: o decreto dominical. Um outro dado que ela nos apresenta de forma inovadora, é a falsificação da segunda vinda de Cristo. Segundo a profetisa mencionada, “como ato culminante no grande drama do engano, o próprio Satanás personificará Cristo. A igreja tem há muito tempo professado considerar o advento do Salvador como a realização de suas esperanças. Assim, o grande enganador fará parecer que Cristo veio”. O Conflito dos Séculos. P. 629 O que ela propõe nessa profecia é completamente inusitado. A Bíblia fala de falsos cristos e falsos profetas (Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos. Mateus 24:24) mas não fala de nenhuma imitação da volta de Cristo por parte do inimigo. Os falsos cristos e falsos profetas existiram no passado, existem no presente e existirão no futuro. Os primeiros são aqueles que, tendo perdido o juízo, apresentam-se como o Messias; os segundos são os que transtornam a simplicidade do evangelho de Cristo ou fazem dele motivo de ganho. A Bíblia fala de muitos falsos Cristos e falsos profetas e nunca de um falso Cristo que imitará a segunda vinda do verdadeiro. A simulação do retorno de Cristo por parte do inimigo, é assunto exclusivo dos escritos da senhora White, sem nenhuma fundamentação bíblica.

Juntando os dois fatos “vistos” pela senhora White, o decreto dominical e a simulação do retorno de Cristo, perdeu-se completamente o caráter de evento imprevisível que antes tinha a volta de Cristo. Com essas duas “visões proféticas”, o dia da volta de Cristo, já está quase previsto. A senhora White, num lance de ousadia desmedido, afirma que ouviu a voz de Deus anunciando o dia e a hora exata do retorno do Senhor: “A voz de Deus é ouvida no céu, declarando o dia e a hora da vinda de Jesus e estabelecendo concerto eterno com Seu povo”. O Conflito dos Séculos. P. 646 Essa é uma das discordâncias mais evidentes entre o que a senhora White escreveu e o que a Bíblia diz. Para a Bíblia, aquele dia e hora ninguém sabe, mesmo o Filho. Para a senhora White, todos os fiéis vivos imediatamente antes da volta de Cristo, saberão antecipadamente o dia e a hora do evento mais aguardado pelos cristãos. A volta de Cristo proposta pela senhora White, é totalmente diferente do que a Bíblia apresenta. A da Bíblia será repentina, imprevisível, impossível de se saber quando ocorrerá. A da senhora White, pelo contrário, será previsível, facilmente localizada no tempo e por fim, previamente datada. Qual das duas você aguardará?

Eupídio da Cruz

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