Quem é o Rei da Glória?

 

O Salmista Davi, no capítulo 24 do livro dos Salmos descreve a força, o poder e o domínio do Senhor e Sua santidade. Quem há de permanecer no Seu santo monte? A resposta é: apenas aqueles que são limpos de mão e puros de coração e cuja boca e alma não há falsidade. Estes são os que obterão do Senhor a Sua benção.

            Quando Israel escolheu pedir um rei para que estivesse no governo de sua nação, o Senhor enviara o profeta Samuel para lhes dar um recado de desagrado. Mas o povo insistiu e constituiu Saul como rei sobre todo o povo.

            Saul era homem alto, forte, bonito, corajoso e em sua primeira batalha contra os amonitas saiu-se vencedor. Entretanto, era muito materialista, pois em caso de dúvida, era-lhe preferível fazer o que lhe convinha, do que confiar nas palavras do Senhor. Este homem valoroso foi reprovado por Deus ao ponto do Senhor dizer que Se arrependia de tê-lo constituído rei sobre Israel. Até ao ponto de o Espírito do Senhor se afastar de Saul.

            Como o Espírito do Senhor se afastara de Saul, um espírito maligno se apossara deste e o atormentava vez ou outra. Seus conselheiros pediram que fosse encontrado algum homem que dedilhasse uma harpa para acalmar-lhe o espírito. Encontraram um certo homem da família de Jessé por nome Davi que tinha o Espírito do Senhor e todas as vezes que o espírito do mau se apossava de Saul e lhe perturbava, vinha Davi com sua harpa, tocando e acalmava-lhe o espírito.

            Após o incidente com Golias, Saul o colocara na frente das batalhas como comandante sobre tropas do seu exército e Davi era bem quisto por todo o povo até pelos servos de Saul.

            Aconteceu, porém, um fato que muito indignou a Saul. Certa vez quando o exército votava de uma batalha contra os filisteus, estava passeando por todas as cidades e o povo cantando em alegria e júbilo pelo fato de terem vencido mais uma batalha, diziam em seus cânticos:

            “Saul feriu os seus milhares, porém Davi aos seus dez milhares”.

            O rei Saul sentiu extremo ciúme de Davi, dizendo: “Só faltam dar-lhe o reino”. Então Saul intentou por laço para Davi, mas o Senhor o fazia vencedor em todas as batalhas e mais estima tinha o filho de Jessé diante do povo. Saul colocara Davi como comandante de mil, na intenção de que sua morte não viesse por mão do rei, mas pelas batalhas. Quanto mais lutas, mais crescia Davi em admiração do povo, mais crescia dentro do rei o ciúme, pois todas as vezes que Davi entrava pelas portas adentro de Jerusalém, mais o povo cantava em admiração aos feitos de Davi.

            Saul perseguiu Davi por muitos dias. Até que veio a falecer o rei. Davi então é constituído novo rei sobre Israel, e seus feitos, suas lutas, suas vitórias, repercutiram por todo o mundo conhecido naquela época. Quando o rei Davi voltava de suas batalhas e entrava em Jerusalém todo o povo o aclamava com glórias

            No Salmo 24 Davi faz referencia a estes faltos de batalha tentando mostrar que a vitória não lhe vinha por méritos próprios, mas pela mão do Senhor dos exércitos. Nos versos 3, 4 e 5, Davi faz menção da condição para alcançar essa graça diante do Senhor, pois era homem íntegro diante do Altíssimo que procurava fazer a vontade de Deus, “limpo de mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma a falsidade nem jura dolosamente, este obterá do Senhor a benção, e a justiça do Deus da sua salvação”. Então transfere toda a glória para o Senhor dos Exércitos dizendo: “Levantai, ó portas, levantai as vossas cabeças; levantai, ó portais eternos, para que entre o Rei da Glória”. O que Davi faz nesse momento é transferir toda a glória que o povo lhe investe para o Senhor dos Exércitos, pois reconhece que os méritos não são seus, mas dAquele que lhe dava a vitória: “O Senhor, forte e poderoso, o Senhor poderoso nas batalhas”. Ao final do capítulo o salmista faz a pergunta casada com a resposta: ”Quem é o esse Rei da Glória? O Senhor dos Exércitos, Ele é o Rei da Glória” (Salmos 24:10).

            Davi nesse momento em que transfere todo mérito de suas vitórias para o Senhor dos Exércitos dizendo que “Ele é o Rei da Glória”, faz uma profecia que está referenciada em Apocalipse, quando o Filho do Homem se tornar o Rei do Universo junto com Seu Pai. Entretanto, isso só acontecerá após a Sua segunda vinda ao nosso mundo, pois Porque o Filho do Homem há de vir na glória de Seu Pai, com os Seus anjos, e, então, retribuirá a cada um conforme as suas obras” (Mateus 16:27). Por que na glória de Seu Pai? Porque o “Único Soberano, o Rei dos reis e Senhor dos senhores”, é o Pai, “o Único que possui imortalidade, que habita em luz inacessível, a quem homem algum jamais viu, nem é capaz de ver. A Ele honra e poder eternamente. Amém” (I Timóteo 6:15 e 16).

                        Aqui nesses versos da epístola do apóstolo Paulo a Timóteo não está se referenciando a Jesus, pois a Bíblia é taxativa ao informar que “ninguém jamais viu a Deus: o Filho unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou”; “não que alguém tenha visto o Pai, salvo Aquele que vem de Deus: este O tem visto” (João 1:18; 6:46). Podemos evidenciar pelo que o apóstolo diz a Timóteo: “a quem homem algum jamais viu". Outra evidência está nas palavras: “o Único que possui imortalidade”, pois o Filho de Deus veio a este mundo com a finalidade de morrer pelos nossos pecados, pagando assim o preço da dívida que era contra nós, “pois Ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a Si mesmo Se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-Se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a Si mesmo Se humilhou, tornando-Se obediente até à morte e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e Lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai” (Filipenses 2:6-11).

Cristo definitivamente morreu, entregando-Se por nós. O Filho do Divino “esvaziou-Se de Si mesmo”, deixou de lado os atributos divinos que lhes foram concedidos,  por alguns instante enquanto esteve na Terra, “o qual é o penhor da nossa herança” (Efésios 1:14), e tornou-Se humano para redimir a todos aqueles que nEle crer.

Se o divino Filho não tivesse morrido em nosso lugar, não haveria nenhuma chance de sobreviver ante a ira de Deus. Mas o Filho de Deus veio como homem, despojando-Se de Seus privilégios e atributos divinos; o mesmo Ser que habitava junto com Seu Pai em Luz inacessível, não poderia ser dividido – uma parte divina ficaria no Céu e uma outra parte humana ficaria na Terra – para poder cumprir as exigências da Lei, pois a exigência da Lei era a morte, “porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” Romanos 6:23.

            Quando, antes de vir a este mundo, o Filho do Homem era chamado de “Príncipe do Exército do Senhor”. Observe que a nenhum dos anjos foi dado o privilégio de ter louvor ou adoração como é no caso de João que se prostrou diante do anjo, mas para sua surpresa foi interrompida a sua atitude por aquele que era enviado dos Céus: “Então, ele me disse: Vê, não faças isso; eu sou conservo teu, dos teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus.” Apocalipse 22:9. Entretanto, no caso do Livro de Josué capítulo 5, nós é mostrado algo diferente. “Estando Josué ao pé de Jericó, levantou os olhos e olhou; eis que se achava em pé diante dele um homem que trazia na mão uma espada nua; chegou-se Josué a ele e disse-lhe: És tu dos nossos ou dos nossos adversários? Respondeu ele: Não; sou príncipe do exército do SENHOR e acabo de chegar. Então, Josué se prostrou com o rosto em terra, e o adorou, e disse-lhe: Que diz meu senhor ao seu servo?” (Josué 5:13 e 14).

O livro entitulado: Patriarcas e Profetas, da escritora cristã Ellen White,  conta que “o Soberano do Universo não estava só”, mas “tinha um companheiro”,(...) “Cristo, o verbo, o Unigênito de Deus, era um com o Pai – um em natureza, caráter, propósito – o Único ser que poderia penetrar em todos os conselhos e propósitos de Deus”. Não há outro ser qualquer, seja no Céu, na Terra ou no mar, ou entre os anjos celestes ou potestades do mau, que possa penetrar no conselho do Pai, exceto o Filho. A escritora continuando seu relato, informando que “O Rei do Universo (Deus, o Pai), convocou os exércitos celestes perante Ele, para, em Sua presença, apresentar a verdadeira posição de Seu Filho, e mostrar a relação que Este mantinha para com todos os seres criados. O Filho de Deus partilhava do trono do Pai, e a glória do Ser eterno, existente por Si mesmo, rodeava a ambos. (...) Perante os habitantes do Céu, reunidos, o Rei declarou que ninguém, a não ser Cristo, o Unigênito de Deus, poderia penetrar inteiramente em Seus propósitos, e a Ele foi confiado executar os poderosos conselhos de Sua vontade” (Patriarcas e Profetas, pág. 13, 14 e 16, Por Que Foi Permitido o Pecado?).

Tal narrativa não encontra-se distante das afirmações biblicas, nem são contrárias as escruturas sagradas. Como podemos ver acima, ao Filho de Deus foi dado todos os atributos de seu Pai, ou seja, onde quer que o Filho estivesse seria como se fosse o próprio Pai. Toda divindade estava confiada ao Filho. “Toda autoridade Me foi dada no Céu e na Terra” (Mateus 28:18). Jesus não era o Rei, mas o Príncipe, não era o “Soberano do Universo”, mas o Ajudador um “Companheiro”; não era o “Rei do Universo”, mas o Filho do Rei.

            O Profeta Daniel, em seu livro, no capítulo 12, logo no primeiro verso, nos revela que quando houvesse um tempo de angústia, seria o Príncipe, chamado Miguel, o Defensor dos “filhos do teu povo”. Também, no capítulo 8, verso 11, com referência à abominação desoladora causada pelo “chifre pequeno” que se engrandeceu até ao “Príncipe do Exército”, e a alguns do Exército e das estrelas do Céu lançou por terra.

            Antes de vir a este mundo o Filho de Deus era o Príncipe do Exército do Senhor. A palavra Miguel, referência a Cristo antes de vir à este mundo, quer dizer “aquele que é como Deus”. Não o próprio Deus, mas o que se parece com Deus.

            Depois de Sua morte e ascensão Cristo tomou novamente seu lugar privilegiado de Príncipe, sentado a direita no trono, junto ao Pai. Os homens O mataram, “Deus, porém, com a sua destra, O exaltou a Príncipe e Salvador, a fim de conceder a Israel o arrependimento e a remissão de pecados” Atos 5:31; Marcos 16:9; Atos 2:33; Hebreus 8:1; 10:12; 12:2; I Pedro 3:22.

            O Príncipe não é o Rei. O Filho não é o Pai. São pessoas distintas uma da outra e com posições distintas um do outro.

            Somos herdeiros juntamente com o Filho porque Ele é Príncipe. Somos co-herdeiros com o Filho. Se o Filho fosse Rei não poderíamos ser chamados de co-herdeiros.

Porém, chegará o dia em que o trono será dado ao Filho de Deus, quando for tocada a “sétima trombeta”, então “o reino do mundo se tornou de nosso Senhor (o Pai)e de Seu Cristo (o Filho), e Ele reinará pelos séculos dos séculos” Apocalipse 11:15.

Mas o reinado de Cristo, não será um reinado eterno como muitos imaginam. Embora Cristo reine como rei dos reis, visto que seu reinado será compartilhado com outros reis e sacerdotes (ver I Pedro 2:9; Apoc. 5:10; Apoc. 20:6) que serão os salvos, ao final do período de reinado, Cristo devolverá o reinado para o Seu Deus e Pai.

1 Coríntios 15:24-28 E, então, virá o fim, quando ele entregar o reino ao Deus e Pai, quando houver destruído todo principado, bem como toda potestade e poder. Porque convém que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo dos pés. O último inimigo a ser destruído é a morte. Porque todas as coisas sujeitou debaixo dos pés. E, quando diz que todas as coisas lhe estão sujeitas, certamente, exclui aquele que tudo lhe subordinou. Quando, porém, todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então, o próprio Filho também se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos.

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