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A NOÇÃO BÍBLICA DE PREEXISTÊNCIA
A grande parte da cristologia atual é um apelo para o regresso ao Jesus histórico, como distinto da figura mais abstrata que foi projetada pelas crenças tradicionais. Os cristãos que desejam a verdade devem hoje ter o cuidado ao lerem suas bíblias através das lentes dos Concílios da Igreja (Católica). Uma abordagem mais segura e mais sólida é situar Jesus em seu contexto próprio e judaico do primeiro século. Este sim é um retorno às raízes da fé.
Qualquer estudo imparcial da história revelará as investidas dos homens cruéis que durante um período de tempo, nos diversos concílios eclesiásticos, intentaram modificar e omitir as palavras das escrituras, para apoiar suas doutrinas. Cito como exemplo o famoso 1 Concílio de Nicéia Ano 325 E.C, onde se começou a dar forma à “perversa” doutrina da Trindade, que despersonaliza Deus e o retira da sua posição de Soberano e Todo-Poderoso do Universo!! E vemos que, mesmo sendo combatido pelos nobres servos de Deus, esse falso ensino ainda perdura até hoje.
Um tema que é importante ser destacado, pois ficou esquecido pela cristandade é a questão da natureza de Jesus e sua preexistência humana. Esquecido no sentido de não dar a ele o devido lugar de atenção e posicionamento bíblico que merece. A cristologia atual está muito mais baseada nas decisões dos concílios do que propriamente na palavra de Deus, até pelos evangélicos, que se dizem “contrários” ao posicionamento da igreja católica romana .
O centro do debate através dos séculos foi em torno dessa questão. A Ortodoxia tradicional era atormentada pela dificuldade de permitir a Jesus uma personalidade humana plena. A própria noção abstrata de “hipóstase” (Jesus foi “homem” sem ser de fato “um homem” - Divino e Humano ao mesmo tempo) foi desenvolvida justamente para preservar o conceito de que ele tinha preexistido como Segundo Membro da Trindade.
Muitos cristãos dedicados estão atualmente influenciados pelas tendências místicas e gnósticas que afetaram a igreja. Mas muitos não sabem que idéias filosóficas e místicas invadiram a igreja a partir do segundo século pelos “Pais da Igreja”, que foram mergulhados na filosofia pagã e nos alicerces dos credos que agora são chamados de “ortodoxos”. A semente da doutrina trinitária foi plantada no pensamento de Justino Mártir, o apologista cristão do segundo século que “encontrou no platonismo a maior aproximação ao cristianismo e sentiu que não era necessário romper com o seu espírito e princípios para passar para a maior luz da revelação cristã”.
As forças que operaram para mudar a doutrina apostólica foram derivadas do paganismo .... Os hábitos de pensamento que os gentios levaram à igreja são suficientes para explicar a corrupção da doutrina apostólica, que começou na era pós-apostólica. (G.T. Purves, D.D., O testemunho de Justino Mártir no cristianismo primitivo. New York: Randolph and Co., 1889, p. 167).
Cristãos inteligentes precisam ser informados dessas corrupções e como elas estão atualmente “canonizadas” como Escritura por muitos. Discernimento significa aprender a diferença entre a verdade revelada e os ensinamentos filosóficos pagãos, que se originaram fora da Bíblia.
O leitor deve considerar os efeitos desastrosos de não prestar atenção às formas judaicas de pensar encontradas na Bíblia, que foi escrita (com exceção de Lucas) por judeus. É evidente que se os judeus não querem dizer o que entendemos por “preexistência”, estamos sujeitos a mal interpretá-los nas questões básicas sobre quem é Jesus. A filosofia grega acreditava num Deus de “segunda”, um intermediário não-humano entre o Criador e o mundo. O verdadeiro Jesus, porém, é o homem “Messias”, o único Mediador entre Deus e o homem (1 Tm. 2:5).
Veja o que o famoso expositor Metodista Adam Clark sentiu a necessidade de dizer:
A doutrina da filiação eterna de Cristo, é na minha opinião, anti-escritural e altamente perigosa. Eu não tenho sido capaz de encontrar qualquer declaração expressa disto nas Escrituras. (Comentário de Lucas 1:35).
A humanidade de Jesus, evidentemente retratada em todos os Evangelhos pode ser preservada, se deixar de lado à noção tradicional de preexistência. Nos Sinóticos não há dúvida de que Jesus veio a existir em sua concepção no ventre de Maria. (Lucas 1:35 e Mateus 1:18).
A verdadeira CRISTOLOGIA deve ser “ascendente” – “de baixo para cima” - e ao mesmo tempo levar em conta todas as palavras relatadas nos evangelhos e cartas apostólicas, detalhe por detalhe, ensinadas por Jesus e os seus apóstolos, comparando sempre nas escrituras hebraicas. A cristologia “ascendente” objetiva mostrar O Cristo em sua forma concreta e humana, evidenciando o Seu Ser para os outros, O Seu Ser como representante de Deus entre os homens e dos homens diante de Deus. Esta cristologia, a meu ver, supera a idéia de preexistência, kenosis e encarnação, resultando no discurso sobre o homem Jesus e sua pessoa humana. A concepção judaica e bíblica de preexistência é mais significativa para a compreensão de Jesus sobre si mesmo como o Filho do Homem do que a concepção trinitária.
Entender a questão da natureza de Jesus Cristo é importante porque afeta a nossa crença e fé em sua obra de salvação. Uma versão desta crença é vista em 1 João 4:2, onde ele diz: Nisto conhecereis o Espírito de Deus: Todo o espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus.
João aqui está lutando contra algum tipo de erro que dizia que Jesus não tinha vindo em carne. Foi muito grave, porque ele diz assim no v.6: Nós somos de Deus; aquele que conhece a Deus ouve-nos; aquele que não é de Deus não nos ouve. Nisto conhecemos nós o espírito da verdade e o espírito do erro.
A trindade não é bíblica. Foi um erro inventado pela mente humana que foi tomando forma pelo início do segundo século em diante. Um erro que levou a outros três erros relacionados. Para “supostamente” dar coerência bíblica a esta doutrina foi necessário criar estes outros três erros, a saber: A PREEXISTENCIA, A KENOSIS e a ENCARNAÇÃO. Mesmo aqueles que não aceitam a doutrina trinitária, infelizmente caem presas destes três erros, que serão explicados no decorrer deste livro.
A NEGAÇÃO DA HUMANIDADE REAL EM TERMOS DE UMA VIDA PREEXISTENTE
As religiões em geral negam o claro e evidente ensinamento bíblico de que Jesus era e é um HOMEM. Leia 1 Timóteo 2:5 (JESUS CRISTO HOMEM). Jesus foi um homem diferente, não foi somente o nascimento do Senhor Jesus que o separa do resto da humanidade. Isso de si próprio já é maravilhoso - que tenha nascido do Espírito Santo (poder de Deus) que atuou em Maria. O que o separa também foi a sua habilidade de combater o pecado em todas as suas manifestações. Os evangelhos registram a maneira pela qual o Senhor Jesus foi tentado por quarenta dias (Mateus 4:1-11, Marcos 1:12, 13 e Lucas 4:1-13).
Dessa maneira dramática, quando ele agüentou uma provação mental e física severa, foi completamente vencedor em resistir à tentação de usar mal os poderes que recebera de Deus, a verdade foi enfatizada que o Senhor Jesus era susceptível a tentações da mesma maneira que nós o somos. Em todos os sentidos era visto como um homem que partilhava das nossas experiências e emoções; nesse sentido ele era “um de nós”, exceto que ele nem uma vez falhou.
Portanto se dizemos que Jesus é Deus por natureza ou anjo por natureza, como se diz nos diversos ensinos que existem por aí, já não podemos afirmar que é “Jesus Cristo homem” e portanto não poderia ser nosso mediador, já que o texto mostra que há UM SÓ MEDIADOR E ESTE É O HOMEM CRISTO JESUS. Como poderia estar agora mediando por nós se fosse um anjo ou Deus mesmo? Se a escritura diz que o único mediador é O homem Jesus?
A palavra “natureza” refere-se àquilo que nós somos natural e fundamentalmente. A Bíblia fala somente de duas naturezas - a de Deus e a do homem. Por natureza Deus não pode morrer, ser tentado, etc. É evidente que Cristo não tinha a natureza de Deus durante a sua vida. Logo, ele era de natureza totalmente humana. Pela nossa definição de “natureza” deve estar claro que Cristo não poderia ter, simultaneamente, duas naturezas. Era vital que Cristo fosse tentado como nós (Hb. 4:15), para que através da sua perfeita vitória sobre a tentação, ele pudesse alcançar o perdão para nós. Os desejos errados que são a base das nossas tentações vêm de dentro de nós (Marcos 7:15-23), de dentro da natureza humana (Tiago 1:13-15). Logo, era necessário que Cristo tivesse uma natureza humana tal que ele pudesse experimentar e vencer estas tentações.
Homens reais não vivem no céu antes do nascimento, e este homem, Jesus, também não. O raciocínio não poderia ser mais claro: Jesus é o Filho de Deus em virtude de sua procriação Divina, em um determinado momento. A idéia de oposição, que ele é o Filho de Deus, porque ele é a encarnação do próprio DEUS, a encarnação de uma pessoa eternamente gerada pelo Pai, está totalmente ausente da narrativa do nascimento.
Mas o Trinitarianismo coloca a procriação do Filho de Deus em um plano metafísico e atemporal. Ele não conta o nascimento de Jesus como a procriação do Filho de Deus, mas sim a encarnação do Filho de Deus - encarnação não é um termo bíblico. No entanto, o conceito de procriação tem a ver com o nascimento humano, e nós devemos aceitar a declaração contida no Evangelho de Mateus que diz: “o que nela está gerado é do Espírito Santo” (Mt 1:20). A proposta trinitária de uma procriação eterna eleva o processo natural de procriação humana a um nível eterno atemporal, não condizente com as escrituras no seu todo.
A Concepção de Jesus
Através do Espírito Santo (respiração/poder de Deus) agindo sobre ela, Maria foi capaz de conceber Jesus sem ter relação sexual com um homem. Assim, José não era o pai verdadeiro de Jesus. Deve-se entender que o Espírito Santo não é uma pessoa; Jesus era o Filho de Deus, não do Espírito Santo. Deus usou o Espírito Santo sobre Maria, "por isso o ente santo" que nasceu dela era "chamado de Filho de Deus" (Lucas 1:35). O uso da expressão "por isso" implica que sem a ação do Espírito Santo sobre o útero de Maria, Jesus, o Filho de Deus, não poderia ter existência.
A "concepção" de Jesus no útero de Maria (Lucas 1:31) também é prova de que ele não poderia existir fisicamente antes daquela época. Se nós "concebemos" uma idéia, ela começa dentro de nós. Da mesma forma Jesus foi concebido dentro do útero de Maria - ele começou ali como um feto, exatamente como qualquer outro ser humano.
João 3:16, o mais famoso verso da Bíblia, relata que Jesus foi o "Filho unigênito" de Deus. Milhões de pessoas que recitam este verso falham em meditar sobre o seu significado. Se Jesus era "unigênito", ele "começou" (uma palavra relacionada a "gerar") quando foi concebido no útero de Maria. Se Jesus foi gerado por Deus, como seu Pai, isto é uma evidência clara de que seu Pai era mais velho do que ele - Deus não tem começo (Sl. 90:2) e por isso Jesus não pode ser o próprio Deus.
Para as religiões (Os trinitarianos e outros grupos incluindo os Testemunhas de Jeová), Jesus nunca foi completamente humano. Sempre procuram mostrar uma natureza dual (dupla). Os trinitários tentam “fundir” as duas naturezas (união hipostática) e alguns grupos atuais separam estas naturezas no tempo - antes (divino, imortal) e depois homem para sempre, sendo assim, sua humanidade passa a ser apenas um detalhe.
Isto nada mais é que a teoria da trindade sob vários disfarces. Antes era um poderoso Ser celestial (Anjo, arcanjo) ou Deus mesmo, apesar das escrituras em nenhuma parte afirmar que Jesus é outra coisa que não um HOMEM SEM PECADO, GERADO NO VENTRE DE UMA JOVEM MULHER PELO ESPÍRITO SANTO. E ainda que as escrituras em poucas vezes se refira a ele como DEUS, não é por causa de sua natureza nem por nome próprio, senão como título; da mesma forma que Moisés se chama Deus (exodo 7:1), os príncipes de Israel (Salmos 82:6) e os anjos. Deus abençoe a todos Marcelo Alexandre do Valle (marceloalexandrevalle@yahoo.com.br). |